Saiba como identificar um relacionamento abusivo
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Receita de “bolo de maçã”

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Tempo de Leitura: 7 minutos

Oi, meninas, tudo bem? A receita de hoje é um bolo de maçã sem lactose que você vai amar! Anote aí os ingredientes e veja como é super fácil preparar! Fique de olho na surpresa.

Ingredientes

2 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de óleo
3 ovos
1 pitada de sal
1 colher (café) de fermento em pó
1 colhere (sopa) de canela em pó
3 maçãs

Saiba como identificar um relacionamento abusivo

Parece amor, mas a pessoa te humilha. Parece amor, mas ela não deixa você conviver com amigos e familiares. Parece amor, mas você está sempre com a sensação de que algo está errado. Pode não ser apenas uma sensação. Conheça alguns sinais de um relacionamento abusivo e saiba se você está vivendo em um.

O que é um relacionamento abusivo?

É uma relação desigual de poder. Uma pessoa da relação sujeita a outra a grandes privações, constrangimentos e violência de várias formas. Essa relação é muito conhecida entre casais, mas pode ser observada entre amigos, familiares e chefes no trabalho. 

Também não acontece apenas entre homem e mulher. O relacionamento abusivo pode acontecer em um relacionamento com pessoas do mesmo gênero, apesar de acontecer mais frequentemente com o homem em relação à mulher porque a nossa sociedade machista muitas vezes incentiva esse tipo de comportamento.

A violência, física ou psicológica, é disfarçada como cuidado. Isso faz a vítima se questionar se aquilo é realmente uma violência ou não. Outro aspecto do abuso que torna difícil o apontamento é a romantização. Um namorado ciumento muitas vezes é mostrado como um homem que ama, não como um abusador.

Se você estiver só ou em um ambiente seguro, veja o vídeo Não tira o batom vermelho.

Sinais de um relacionamento abusivo

Existem vários graus de abuso dentro de um relacionamento. Uns podem ser conversados para uma tentativa de mudança da relação. Em outros, porém, não existe a possibilidade do diálogo e é preciso pedir ajuda. Leia os tópicos a seguir e veja se eles se encaixam no relacionamento que você vive ou já viveu e saiba o que fazer:

Humilhação

A humilhação constante é uma ferramenta que mina a auto estima de uma pessoa. Se a pessoa com quem você mantém um relacionamento faz isso, é melhor abrir o olho e ter uma conversa séria.

As humilhações podem ocorrer em vários campos, como ridicularizar o batom que você usa, o perfume, dizer que usa roupas de “vagabunda”, que o seu trabalho é insignificante, que você ganha mal, que você não se comporta como uma “mulher direita” durante a relação sexual e julgar a todo instante comportamentos que você teve no passado.

Quando todas essas falas começam a entrar na cabeça de uma pessoa, ela fica vulnerável. Ela realmente acredita que é uma vadia, que não faz nada direito, que não merece afeto. Com essa porta aberta, a manipulação por parte da pessoa abusadora torna- se mais fácil.

Afastamento de amigos e familiares

Uma outra forma de fragilizar a vítima e impedir que haja um pedido de socorro é afastar a pessoa em relacionamento abusivo de todo o seu círculo de apoio. Pode começar com coisas simples, como ciúmes de amigos do gênero oposto, ou dizer que não gosta daquele seu grupo íntimo de amigos, que são má influência para você. Te afasta da família porque eles querem “separar vocês”, não entendem a relação.

Na verdade, a pessoa abusadora sabe que essas pessoas são o seu porto seguro e que te ajudariam caso houvesse um pedido de ajuda.

Para não irritar o parceiro, você acaba se afastando dessas pessoas. Amigos e familiares lutam, mas cansam em um determinado ponto e param de procurar. De repente, você não tem amigos ou família. Seu namorado/noivo/esposo passa a ser todo o apoio que você tem.

Você está sempre pedindo desculpas, mesmo quando tem razão

Você criou coragem, pensou nos argumentos. Chama a pessoa para conversar, explica seus incômodos. A outra pessoa, então, vira a mesa, manipula o que você disse a ela, grita, chora, se faz de vítima, joga na cara outros erros que você cometeu, ou que ela diz que você cometeu. De repente, você se pega pedindo desculpas por aquilo que a outra pessoa fez de errado. Termina a conversa sem saber o que realmente aconteceu ali.

Se isso acontece com frequência, é necessário repensar essa relação.

“Eu sou a única pessoa que te aguenta”

Além de te afastar da família e amigos, elimina a chance de você sequer pensar em outros relacionamentos, porque você foi convencida que não é uma pessoa agradável, que ninguém te suporta, que ninguém nunca vai te amar como essa pessoa ama. Mesmo quando pensa em terminar, sente que o futuro seria muito solitário sem essas pessoas.

Esse discurso é ambíguo e deve fazer você se questionar. Se você é tão insuportável assim, o que a outra pessoa está fazendo com você? Era para ela querer terminar com você também. Se ela não termina é porque ela está manipulando você a não terminar com ela. Algo está errado e não é com você.

Não ter direito à privacidade

A pessoa te convence que não existe segredo entre vocês. Se zanga com bloqueio do celular, pede as senhas de redes sociais, e-mails e até de bancos. Assim, ele passa a ter controle de tudo que a outra pessoa faz, com quem fala, onde está. O irônico é que nem sempre esse caminho tem duas vias, já que a privacidade do abusador continua intacta.

Ciúme obsessivo

Ciúme não é amor. A pessoa abusadora acha que tem posse sobre a outra pessoa. Tem acessos de fúria quando contrariada, inventa traições, casos com colegas de trabalho, interpreta mensagens que ele encontrou em e-mails que você recebeu, tem ciúmes até das relações anteriores.

Essa é mais uma forma de isolar a pessoa, que passa a não ter qualquer contato com outras pessoas para que não cause ciúme no parceiro e de deixá-la ainda mais fragilizada e se sentindo culpada pelos ataques físicos e psicológicos.

Controle financeiro

Mesmo tendo sua própria renda, a pessoa abusadora se acha no direito de controlar como e com o que esse dinheiro é gasto. Pode forçar uma conta conjunta para ter acesso à renda da outra pessoa e fazer o que bem quiser com ele.

A situação é ainda pior quando a mulher (normalmente a maior vítima desse tipo de controle) não tem salário próprio e depende do dinheiro do companheiro. O fato de não ter como se sustentar ou sustentar os filhos faz muitas mulheres se sentirem a permanecerem em relacionamentos abusivos.

Aqui entra também a humilhação e a perda da auto estima quando você desiste do emprego porque acha que não é boa o suficiente, ou porque o companheiro criou encrenca com algum colega de trabalho e você não se sente apta a fazer qualquer outra coisa porque foi convencida que não é boa em nada.

Proibições de sair só

Já não é mais possível sair só. A pessoa acompanha na hora das compras no mercado, na farmácia, no banco, limitando ainda mais as suas conversas com outras pessoas e a possibilidade de pedir ajuda. Você não pode sair sem a outra pessoa ou é trancada em casa quando ela sai para trabalhar ou se divertir.

Chantagens e ameaças

Quando você discute ou ameaça ir embora, a manipulação passa pela chantagem. Diz que vai pegar a guarda dos filhos, que vai se matar, sumir com o seu dinheiro (que já está em posse da outra pessoa), divulgar fotos íntimas, que vai matar você. Não é só ameaça. A sua vida pode estar em risco nesse momento.

Agressões físicas

Mas tudo que foi citado anteriormente já é caracterizado como agressão, sejam elas psicológicas, morais ou patrimoniais. Mas, depois que a pessoa abusadora supera a fase de apenas ameaçar, podem vir as agressões físicas. Começa com empurrões ou ter acessos de raiva perto de você, como quebrar coisas, socar mesas e paredes. Em casos extremos, a violência leva a vítima ao hospital. Ou à morte.

Como sair de um relacionamento abusivo

saiba o que fazer para sair de um relacionamento abusivo

O primeiro passo a ser dado é que a vítima entenda que está em uma relação abusiva, ou ela acaba voltando para os braços da pessoa abusadora. E que ela entenda que nada disso é culpa dela. Se você perceber que a pessoa com quem se relaciona não é abusiva mas tem algumas atitudes ruins, cabe uma conversa e ver se vale a pena a mudança ou o término. Se você tem medo do diálogo, algo está errado e a conversa não vai adiantar mais. É hora de pedir ajuda.

Pedir ajuda pode ser humilhante para a vítima, mas é um passo necessário. Ela sabe que muita gente avisou sobre onde esse relacionamento ia parar. Porém, é hora do acolhimento. Comece retomando contato com amigos e família, essas pessoas podem fortalecer você e dar abrigo quando for necessário.

Busque terapia. A ajuda profissional da psicologia é essencial para entender o ciclo de violências que você passou e como sair dele. Dependendo do nível da pessoa abusadora, ela não vai deixar você procurar ajuda, ou vai te obrigar a contar o que é conversado na sessão. Não caia nessa armadilha.

O aplicativo PenhaS orienta mulheres em situação de violência, mostra o caminho para a Delegacia da Mulher mais próxima e até disponibiliza um gravador para você produzir provas contra a pessoa agressora.

Se você passou ou passa por alguma agressão e não sabe mais o que fazer, ou conhece alguém que é vítima, ligue para o número 180. A Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência recebe denúncias de violência e orienta mulheres sobre os seus direitos. O serviço está disponível também pelo Whatsapp, através do número 61 99656-5008.

Leia também essa matéria da AzMina, que passou uma semana em um abrigo para mulheres que sofreram violência para contar a história delas.

Esse post foi “escondido” em uma receita de bolo de maçã porque muitas mulheres correm risco de agressão apenas procurando por ajuda ou pesquisando termos relacionados ao relacionamento abusivo. Provavelmente, ele vai ser prejudicado dentro dos motores de busca. Não tem problema. Ele foi escrito para que você compartilhe no grupo de amigas e elas possam abrir com um pouco mais de segurança.

 

Ericka Guimarães

Idealizadora de Sankofa. Jornalista. Daquele pessoal dos Direitos Humanos.

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