Imagem em preto e Branco de Frida Khalo em sua cama, pintando um quadro

Histórias sobre pessoas com deficiência que você precisa conhecer

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Histórias sobre pessoas com deficiência não são ensinadas na escola, quiçá aparecem em produções específicas sobre… deficiência. Personalidades notáveis, quando citadas fora desse contexto, costumam ter sua deficiência ignorada, como se não fosse um aspecto relevante. Ou seria intencionalmente ignorado?

Frida Kahlo era uma pessoa com deficiência, ponto.

 “Eu pinto a mim mesma” disse Frida Kahlo, pintora mexicana que fez uso de sua vivência para abordar em sua arte questões sociais, de gênero, classe e raça, se tornando símbolo feminista e LGBTQIA+.

Ainda assim, parte fundamental de sua vida, que influenciou diretamente sua arte, é recorrentemente invisibilizada: Frida era uma mulher com deficiência.

Com 6 anos de idade, a artista contraiu poliomielite e, em decorrência disso, caminhava com dificuldade, sofria bullying e usava calças – vestimentas masculinas incomuns à uma adolescente no México da década de 1920 – para esconder que uma de suas pernas era mais curta. Mais velha, optou pelas longas saias étnicas.

O apagamento da deficiência de Frida Kahlo não somente deixa uma lacuna na biografia da artista, mas também retira parte de sua identidade, sempre retratada em suas obras.

Um ano antes de seu falecimento, com a bem debilitada, Frida Kahlo precisou ter seus pés amputados, e foi a respeito disso que surgiu a tão conhecida frase: “Pés, para que os quero se tenho asas para voar?”.

Em contraponto, outros artistas como Andrea Bocelli, Ray Charles, Stevie Wonder e Herbert Vianna tem sua deficiência rapidamente atrelada às suas histórias como um “bônus de mérito”. Sendo raramente questionados sobre suas capacidades, também não são comumente colocados como símbolos da comunidade PCD.

Você conhece Helen Keller?

Helen Keller é referenciada por ser a primeira pessoa surdocega da história a se tornar bacharel. A perda de visão e audição decorreu de uma enfermidade não identificada – supõe-se meningite ou febre escarlatina – quando tinha apenas 18 meses, em 1881.

Até os 7 anos, Helen se comunicava com sua família através de cerca de 60 gestos, embora boa parte de seu cotidiano estivesse atrelado à dependência de sua mãe.

Foi com a chegada de Anne Sullivan, uma mulher também cega que desenvolveu técnicas adequadas às demandas de Helen, que a criança pôde expandir seu vocabulário e ganhar maior autonomia.

Essa conquista, considerando as limitações do contexto histórico e social, só foi possível por Sullivan considerar Helen capaz de reconhecer o mundo através de suas capacidades, o que possibilitou Helen de avançar academicamente, se tornando bacharel em filosofia, escritora e ativista social mesmo em um contexto inóspito até para uma mulher sem deficiência.

Helen Keller escreveu 12 livros e dezenas de artigos, aprendeu outras línguas e era grande amiga de personalidades como Graham Bell, Charlie Chaplin e Mark Twain.

Uma breve história sobre Stephen Hawking

Stephen Hawking, um dos mais renomados cientistas da história da humanidade. Seu trabalho científico alcançou não somente reconhecimento acadêmico, mas também tornou suas teorias acessíveis ao grande público, principalmente através da publicação de seu livro “Uma Breve História do Tempo”.

Doutor em cosmologia, professor lucasiano emérito na Universidade de Cambridge e também diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica, Hawking foi o primeiro cientista a estabelecer uma teoria da cosmologia explicada pela união da teoria geral da relatividade e da mecânica quântica.

Aos 21 anos, Stephen Hawking foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, popularmente conhecida como ELA, uma doença que causa a morte dos neurônios de controle de músculos voluntários. Durante seu tempo em Cambridge, lidou com a paralisação gradual de movimentos, incluindo a fala.

Quando foi diagnosticado, Hawking havia acabado de ser aprovado para o programa de mestrado de Cambridge, universidade a qual há muito ambicionava ser aceito. O relatório médico o apontava dois anos de vida, enquanto o programa do mestrado duraria três.

Por insistência de seu supervisor, continuou seus estudos e, aos 24 anos, Stephen Hawking defendeu sua tese de doutorado, se tornando PHD em matemática aplicada e física teórica com especialização em relatividade.

Continuou seus estudos até ocupar a posição de diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica, além de ser fundador do Centro de Cosmologia Teórica da Universidade de Cambridge até pouco antes de seu falecimento, aos 76 anos de idade. Suas cinzas descansam na Abadia de Westminster, em Londres, próximas aos túmulos de Isaac Newton e Charles Darwin.

Bem humorado e acessível, Stephen deixou sua marca também na cultura pop, emprestando sua voz para a música “Keep Talking”, do Pink Floyd, além de fazer aparições nos seriados Star Trek, Doctor Who, The Big Bang Theory e Simpsons, entre outros.

O filme “A Teoria de Tudo”, baseado na biografia de Jane Wilde, ex-esposa de Hawking, recebeu 5 nomeações ao Oscar de 2014 e trouxe o reconhecimento de uma atuação brilhante a Eddie Redmayne, que levou a estatueta de melhor ator.

Sobre representatividade e histórias de pessoas com deficiências

A realidade está repleta de pessoas com deficiência e finalmente é possível perceber essa representação nas mídias, mesmo que ainda discretamente.

Amor no Espectro é um reality show que traz a busca de relações românticas de pessoas que pertencem ao espectro autista. Ela ressalta não somente a possibilidade dos autistas criarem vínculos afetivos, mas também as diferenças que cada pessoa vai enfrentar, partindo de seu repertório de interações e de limitações sociais individuais.

O documentário Crip Camp: Revolução pela inclusão inicia no acampamento americano Janed, que possibilitou pessoas com diversas deficiências a experimentarem uma socialização incomum na década de 1970. Essa experiência impulsionou a luta política de pessoas com deficiência para o reconhecimento de seus direitos pelos anos seguintes.

Special, por sua vez, é uma série baseada no livro “I’m Special: And Other Lies We Tell Ourselves” de Ryan O’Connell, que também estrela, escreve e atua como produtor executivo. Ryan, um homem gay com paralisia cerebral moderada, decide modificar seu cotidiano, abordando questões de imagem e sexualidade com muita naturalidade e senso de humor.

Por fim, em Atypical conhecemos Sam e sua família. O protagonista é autista e começa a série no colégio, se desenvolvendo até chegar na faculdade. Atypical aborda temas recorrentes na vida das pessoas com deficiência entrelaçados às experiências da maioria dos jovens-adultos. De superproteção familiar à vida amorosa, amizade, expectativas e inseguranças, a série trata tudo com bom humor e leveza, naturalizando um contexto que ainda é visto como tabu.

Todas as dicas acima estão disponíveis na Netflix!

Existe um grande número de filmes, séries e documentários que retratam histórias de pessoas com deficiência diversas e apresentam suas singularidades de maneira real, com representatividade coerente e sem a romantização das deficiências. Que tal conhecer algumas dessas pessoas por suas histórias?

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Ericka Guimarães

Idealizadora de Sankofa. Jornalista. Daquele pessoal dos Direitos Humanos.

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