governo de morte: presidente Jair Bolsonaro, no plenário da Câmara. Está com a boca aberta, como quem grita algo
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Governo de morte

Em qualquer cenário, Bolsonaro na presidência já seria uma catástrofe. Para o azar de todos os brasileiros, porém, estamos enfrentando uma pandemia no comando dele.

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Nem nos meus mais loucos devaneios e surtos de ansiedade eu imaginei que o governo Bolsonaro chegaria nesse ponto. Desde 2018, conto os dias para o fim desse desgoverno em que eu já sabia que deveria temer pelos Direitos Humanos, pela segurança dos meus amigos LGBTQIA+, pelos direitos civis, pelas políticas econômicas e até pela democracia. O que eu não imaginava é que ele fosse se tornar um governo de morte direta.

Em qualquer cenário, Bolsonaro na presidência já seria uma catástrofe. Para o azar de todos os brasileiros, porém, estamos enfrentando uma pandemia no comando dele. Caminhamos lamentando pelas mais de 200 mil mortes de Covid-19. O luto não tem fim. O que Jair faz, em sua política genocida, é tomar decisões que contrariam a lógica da política, da economia e da sobrevivência da população.

Enquanto Manaus agoniza sem oxigênio, o presidente genocida ignora a sua parcela de responsabilidade e finge que está fazendo o máximo que pode. Bebês prematuros precisam de transferência para outros estados, médicos escolhem quem vive e quem morre em suas UTIs. Enquanto isso, uma movimentação incompetente digna desse governo era noticiada: um avião estava partindo para a Índia em busca de vacinas. O governo indiano, porém, avisa que o avião vai ter que dar meia volta, não tem vacina para nós.

Sobre vacina, Bolsonaro bate no peito para dizer que não vai tomar. Ele não quer virar jacaré. E os seus eleitores, com carta branca dada pelo dirigente do país, seguem o mesmo rumo. Também não querem vacina. Não usam máscara. Não mantém qualquer distanciamento de outras pessoas. Aglomeram em festas. Aliás, esse não é um comportamento apenas dos eleitores bolsonaristas. É como se até aqueles que levantavam a bandeira do isolamento no início da pandemia tivessem desistido. Como se todos os meses que passaram em casa dessem um passaporte com direito a se divertir  em praias lotadas e festas de fim de ano com o brinde de levar Covid para prestadores de serviço e para dentro de casa.

Quando digo que Bolsonaro tem parcela de responsabilidade no caos em que estamos vivendo, é porque ele não age sozinho. Deputados bolsonaristas como Bia Kicis, Eduardo Bolsonaro e outros comemoraram quando o governador do estado cedeu à pressão e desistiu do lockdown no Amazonas, uma das medidas que teriam diminuído consideravelmente o número de casos e de mortes no Estado. A sobrecarga dos hospitais e dos serviços funerários já era evidente. Como comemorar uma decisão que vai fazer mais pessoas morrerem? Não é ingenuidade, não é burrice, é projeto de poder. É o governo de morte.

O colapso na capital amazonense está se alastrando para as cidades do interior. Em pouco tempo a falta de oxigênio e insumos para abastecimento dos hospitais pode ultrapassar as fronteiras e atingir outros estados, junto com a Covid-19 não contida. Será que quando um caos maior que o atual se instalar em capitais mais “visíveis” do país, como São Paulo, Rio e Brasília, as medidas serão tomadas?

Com suas notas de repúdio bem escritas, mas sem qualquer efeito prático, Rodrigo Maia faz coleção de pedidos de impeachment em suas gavetas. Diz que não é a hora, que não há apoio. Se não agora, quando? Não bastam as 200 mil mortes? Não bastam as pessoas morrendo sufocadas em hospitais? Não basta ver como os outros governantes mundiais agem para proteger sua população com vacinas enquanto os brasileiros estão cada vez mais expostos? Não basta a crise sanitária e humanitária em que estamos atolados? Se não é agora o momento do impeachment, Rodrigo Maia, será quando? Falta o crime maior da nação da pedalada fiscal?

Jair Bolsonaro disse que não era coveiro, mas a verdade é que ele carrega sangue dos mortos e terra vermelha das valas dos cemitérios em suas mãos.

Ericka Guimarães

Idealizadora de Sankofa. Jornalista. Daquele pessoal dos Direitos Humanos.

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