#EndSARS
/

Esquadrão Especial Anti-roubo e o #EndSARS na Nigéria

Começar
Tempo de Leitura: 3 minutos

Há mais de três semanas, uma série de protestos chamados nas redes sociais de #EndSARS tem ocorrido na Nigéria, primeira economia do continente africano e 26ª economia do mundo, conforme estimativas do Banco Mundial. As manifestações, a princípio nas redes sociais com a movimentações de hashtags, tomou proporção nas ruas. O pedido é pelo fim da The Special Anti-Robbery Squad (SARS) ou Esquadrão Especial Anti-Roubo, unidade pertencente à Força Policial nigeriana.

Nigéria, o gigante da África

A Nigéria é uma nação africana com quase 210 milhões de habitantes (50,6% homens e 49,4% mulheres), de acordo com informações do site Country Meters. O país está localizado na região Ocidental da África, próximo de outros países africanos, como Benin, Camarões, Níger e Chad. É nada menos que o sétimo país mais populoso, em nível mundial. A capital se chama Abuja, mas a cidade mais conhecida, populosa e tecnológica é Lagos. A cidade é um dos locais com mais ar poluído no mundo e também epicentro dos protestos mais recentes. 

Com mais de 525 línguas listadas, tendo o inglês como oficial, o “gigante da África” carrega uma riqueza cultural de proporções enormes, já que são mais de 500 grupos étnicos no território. Os mais conhecidos são os hauçás, igbos e iorubás. O então presidente é Muhammadu Buhari, 77 anos, desde 2015.  

Atividades ilegais da polícia

De acordo com relatos de nigerianos, nas últimas décadas, o Esquadrão Especial Anti-Roubo (SARS) tem feito atividades ilegais como agressões físicas, suborno, tiroteios em plena luz do dia, perseguições e extorsões de jovens, execuções, estupros de mulheres, abordagens abusivas, torturas e prisões que levam ao pagamento de fianças de altos valores. Mas a SARS foi instituída exatamente para combater os crimes que vem cometendo.

Ao invés de proteger a população, a unidade policial vem abusando de poder, caracterizando, assim, situações de assédio pelos policiais, o que tem levado pessoas à indignação e revolta com movimentações nas redes sociais. 

#EndSARS

Hashtags, como #EndSARS, #EndSARSNow, #EndSARSBrutality, #EndSARSBrutalityinNigeria, #EndPoliceBrutality, #EndSarsProtests, entre outras, foram surgindo desde 2017 no Twitter e no Instagram, que tornou mais perceptível ainda a crise pública vivenciada pelos nigerianos desde então. Os protestos ganharam mais força desde 8 de outubro, numa chamada segunda onda de protestos, que trouxe os olhos do mundo para a Nigéria. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve também manifestação em 15 de outubro, na cidade de Nova York, logo após protesto em Lagos e nas regiões próximas, no dia 11 de outubro.

No mesmo domingo, dia 11, foi publicada uma diretiva presidencial na conta da Presidência nigeriana no Twitter, informando que a SARS teria sido dissolvida e que os oficiais do esquadrão seriam realocados para outras unidades policiais em um projeto de novo arranjo de policiamento. Porém, promessas semelhantes já foram feitas pelo governo nos últimos anos.

Protesto em Londres, no Reino Unido. Créditos: Ehimetalor Akhere Unuabona/Unsplash

Massacre de Lekki

Os protestos tiveram continuidade. No dia 20 de outubro, uma manifestação pacífica, em Lekki, uma área do governo local dentro de Lagos, foi alvo da repressão violenta da polícia. Pelo menos 12 manifestantes foram mortos, segundo a Anistia Internacional, porém a divulgação dos números é confusa. Reportagens da mídia local estimam que mais de 70 pessoas foram assassinadas e as autoridades têm escondido dados sobre as mortes.

O episódio ficou conhecido como Massacre de Lekki e chamou atenção da comunidade internacional. União Europeia (UE) e Organização das Nações Unidas (ONU) lançaram críticas com relação à repressão policial nigeriana.

No dia 23 de outubro, o governador do Estado de Lagos Babajide Sanwo-Olu, 55 anos, divulgou nomes de policiais que estão sendo processados por violação de direitos humano, como parte das ações para conter a brutalidade policial, segundo pronunciamento das autoridades públicas. Um fundo de US$ 500 mil foi estabelecido para assistir as famílias das vítimas.

A violência policial não é uma realidade na Nigéria e também em outros países, como Brasil e Estados Unidos, lugares onde se encontram abusos de poder policial e onde o racismo ainda está presente na estrutura das corporações. Não é à toa que existe o Dia Mundial Contra a Violência Policial – lembrado em 15 de março, instituído por iniciativa do movimento Montreal Collective Opposed to Police Brutality (COBP), no Canadá, desde 1995, e pelo grupo Black Flag (Bandeira Preta), na Suíça. Ambos países considerados desenvolvidos. Nos EUA, a data é lembrada no dia 22 de outubro.

 

Mulher negra, Larissa Carvalho é uma jornalista nordestina e antirracista, com experiência em Marketing Social (La Plata, Argentina) e passagem pelas redações do jornal O POVO (Fortaleza-CE, Brasil) e Mail & Guardian (Joanesburgo, África do Sul). É fundadora, CEO e editora do portal de notícias e mídia negra nordestina site Negrê

larisjornalista@gmail.com

Leia também: De que falamos quando falamos em gentrificação?

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

banco de imagens
História Anterior

21 dicas de newsletter para você assinar agora

lama barragem do fundão
Próxima História

A poeira da lama