Crianças e direitos humanos: imagem de um grupo de 6 crianças correndo em um gramado, de mãos dadas. São crianças de vários tamanhos e cor de pele diferente. Usam roupas coloridas e sorriem.

Práticas de direitos humanos para ensinar para as crianças

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Tempo de Leitura: 4 minutos

A partir do reconhecimento de que crianças tem demandas específicas e são sujeitos políticos, torna-se necessário promover um diálogo para que as próprias crianças tenham entendimento de seus direitos. Uma forma de fazer isso é incorporar práticas de direitos humanos para ensinar para as crianças no cotidiano escolar. 

O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos é uma política pública que consolida um projeto de sociedade baseado nos princípios da democracia, da cidadania e da justiça social, por meio de um instrumento de construção de uma cultura de direitos humanos que visa o exercício da solidariedade e do respeito às diversidades.

O que é o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos?

A política pública prevê concepções, princípios, objetivos, diretrizes e linhas de ação que abrangem os cinco grandes eixos de atuação, da educação básica à superior, não-formal, educação dos profissionais dos sistemas de justiça e segurança pública e educação e mídia.

Segundo o PNEDH, a definição considerada para a Educação em Direitos Humanos é de um processo sistemático e multidimensional, que orienta a formação do sujeito de direitos, articulando as seguintes dimensões: 

  • Apreensão de conhecimentos historicamente construídos sobre direitos humanos e a sua relação com os contextos internacional, nacional e local;
  • Afirmação de valores, atitudes e práticas sociais que expressem a cultura dos direitos humanos em todos os espaços da sociedade;
  • Formação de uma consciência cidadã capaz de se fazer presente em níveis cognitivo, social, ético e político;
  • Desenvolvimento de processos metodológicos participativos e de construção coletiva, utilizando linguagens e materiais didáticos contextualizados;
  • Fortalecimento de práticas individuais e sociais que gerem ações e instrumentos em favor da promoção, da proteção e da defesa dos direitos humanos, bem como da reparação das violações.

Ou seja, é preciso introduzir uma discussão no ambiente escolar acerca dos direitos já conquistados e os impasses na aplicação da Educação em Direitos Humanos nas escolas do país. A obra apresenta propostas para o uso efetivo de recursos lúdicos – especialmente jogos educativos – nesse processo de aprendizagem.

O poder do elemento lúdico na aprendizagem

Uma vez que o debate será proposto para crianças em idade escolar, é fundamental explorar a dimensão lúdica e a criatividade no exercício diário de compreensão das pessoas. 

A dimensão lúdica existe em diversas atividades escolares, uma vez que o processo de aprendizagem exige mais do que a repetição de conteúdos, precisando também de raciocínio e criatividade.

O aprender é uma atividade que possibilita compreender melhor o ser humano, suas potências e dificuldades, e os jogos trazem a possibilidade de estimular aprendizagem e reflexão.

Quando desejamos promover a reflexão sobre o ser humano, relações humanas, valores, é preciso que os jogos articulem questões relacionadas a trabalho de equipe, cooperação e também o respeito às regras combinadas no jogo, mesmo em situações de competição. 

A interação entre os jogadores de forma que possam conhecer melhor as questões que lhes interessam é fundamental

Ou seja,  devemos criar uma ocasião para interagir, conversar, conhecer mais sobre a vida, refletir sobre questões variadas. A cooperação e a competição desenvolvida dentro de regras combinadas são formas de dinamizar o jogo, torná-lo mais divertido e interessante.

É possível encontrar na internet exemplos de jogos que trazem uma parte de informação sobre direitos, questões humanas importantes a serem refletidas através de casos, perguntas e respostas, com base em material consistente e responsável, além dos elementos lúdicos, que são o jogo propriamente dito, e dos elementos reflexivos interativos, para que os jogadores possam expressar suas ideias, cotidiano, etc.

Veja alguns:

4 práticas de direitos humanos para ensinar às crianças

  1. Trilhas da Cidadania: nesse jogo são abordadas questões de direitos humanos e cidadania, através de uma atividade lúdico-pedagógica.  O jogo é composto por um tabuleiro com o desenho de uma trilha que os jogadores vão percorrer com os seus peões. Na medida em que jogam os dados, precisam sortear uma carta com uma pergunta sobre direitos humanos e tentar respondê-la.
  2. Dominó dos Objetivos do Milênio: através de uma brincadeira de dominó, os 8 objetivos do milênio definidos pela Organização das Nações Unidas são ensinados às crianças.
  3. Jogo da Igualdade e das Diferenças: é um jogo que aborda o bullying e os direitos na escola.
  4. Siga o Lixo: o jogo ensina o processo de reciclagem e aborda o tema, juntamente com a questão ambiental. 

Os quatros jogos listados podem ser encontrados para download no site Recimam (Rede de Cidadania Mateus Afonso Medeiros). Também é possível encontrar jogos virtuais que vão estimular questões de maneiras interativas e lúdicas, tornando a prática mais acessível e interessante para as crianças, como o jogo “O diário de amanhã”.

O diário de amanhã” é um jogo desenvolvido pelo Senac São Paulo e a associação Palas Athena, com o apoio da Unesco, que tem por objetivo contribuir para que cada pessoa possa aplicar em seu cotidiano práticas que vão de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O jogo tem duração aproximada de 1h45, e inicialmente os alunos, organizados em grupos, fazem a escolha do avatar que os representará nas duas etapas seguintes. Em seguida, é apresentado um vídeo com uma breve contextualização histórica dos direitos humanos, que serve de suporte para a fase.

Na primeira fase, um quiz com perguntas sobre os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Na segunda fase, temos 12 missões que estão relacionadas com o respeito ou violação desses artigos.

A Educação em Direitos Humanos é responsabilidade de todos

Sendo assim, é importante que as famílias e a comunidade vejam que educar crianças e adolescentes sobre Direitos Humanos deve ir além de um conteúdo a ser estudado na escola, e participem desse processo.

Precisamos reconhecer que, muitas vezes, a população encontra dificuldades diversas na tentativa de se envolver nessas questões, por isso, é interessante que a escola possa desenvolver projetos educativos com a participação do Conselho Escolar, de pessoas e organismos da comunidade. 

Nesse sentido, é importante ressaltar o papel da rede de serviços, que também pode e deve participar em ações conjuntas da educação com a saúde, com a assistência social e assim por diante. Para conhecer um pouco mais sobre o trajeto da construção dos direitos humanos das crianças, veja esse post em nosso blog!

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