dicas para tornar seu conteúdo acessível. Mulher branca com síndrome de down usa um laptop em seu colo. Usa fones de ouvido sem fio.

Como tornar meu conteúdo acessível? Veja 5 dicas!

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Tempo de Leitura: 4 minutos

A produção de conteúdo vivenciou um boom gigantesco em 2020, quando a internet se tornou fonte de informação, comunicação e aconchego em um momento de tantas incertezas. O aumento da produção, e também do consumo, mais uma vez abre espaço para a discussão sobre a criação de conteúdo acessível nas redes. 

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que pelo menos 45 milhões de pessoas tem algum tipo de deficiência no Brasil – quase ¼ da população, que muitas vezes enfrenta dificuldades para navegar pela web e encontrar informações básicas facilmente localizáveis por pessoas sem deficiência.

Criar sites, plataformas e designs acessíveis é democratizar o conteúdo e ampliar o público, visando mais diversidade e melhor interação com o consumidor. 

Em termos de funcionalidade, a acessibilidade também torna o código das páginas mais organizado, facilitando a busca e ranqueamento pelo Google e outras ferramentas de busca, além de aumentar a compatibilidade com dispositivos, plataformas, sistemas e navegadores.

5 maneiras de publicar conteúdo acessível

WCAG é a sigla para Web Content Accessibility Guidelines (“Diretrizes para acessibilidade em conteúdo web”, em tradução livre). O material completo pode ser consultado aqui, mas é importante se guiar pelos quatro princípios fundamentais:

  • Perceptível: a informação e os componentes devem ser apresentados de forma que possam perceber por meio dos olhos, ouvidos e tato;
  • Operável: os componentes da interface devem ser manuseáveis por meio de mouse, teclado e voz;
  • Compreensível: a informação e a operação devem ser de entendimento claro e sem ambiguidades;
  • Robusto: o conteúdo deve ser interpretado de forma concisa e responsiva por diversos agentes, incluindo recursos de tecnologia assistiva.

Não sabe como começar? Confira as dicas para tornar seu conteúdo no ambiente online mais acessível e democrático.

1. Invista na áudio-descrição 

A áudio-descrição é um recurso voltado para que pessoas cegas ou com baixa visão possam compreender filmes, fotografias, peças de teatro, vídeos e outros conteúdos audiovisuais. 

É oferecida de diversas formas, como mixada ao áudio original, distribuída em fones de ouvido em cinemas, teatros e shows ou por texto através de leitores de tela. 

As imagens são traduzidas em palavras e, desde 2014, a Ancine determina que todos os projetos de produção audiovisual financiados com dinheiro público devem conter legendas descritivas, audiodescrição e LIBRAS.

Existem técnicas específicas para um bom resultado de acordo com cada material, mas dois princípios básicos devem ser seguidos: narrar aquilo que você observa e manter a neutralidade para que a pessoa com deficiência tenha autonomia para criar a imagem do que foi descrito.

2. Utilize leitores de tela

O leitor de tela é uma das principais ferramentas quando se fala em conteúdo acessível. 

O software interage com o sistema operacional do computador para capturar informações em forma de texto e imagens com descrição e transformá-las em áudios por meio de um sintetizador de voz.

Comumente utilizado por pessoas com deficiência visual severa, o programa utiliza três comandos principais: leitura da página (com as setas); leitura dos links (com a tecla Tab); e leitura dos cabeçalhos (com a tecla H). 

Um simples cabeçalho quebrado é suficiente para prejudicar a leitura, por isso a importância do design acessível e do código pronto para atender esse usuário.

Entre os softwares mais comuns estão Jaws, Virtual Vision, NVDA, Window-Eyes, Orca e VoiceOver

3. Use descrição nas imagens de sites e redes sociais

É fundamental oferecer uma descrição em todas as imagens e conteúdos não-textuais de sites e redes sociais para que pessoas com deficiência visual possam acessar o conteúdo. 

Existem dois tipos de imagem e cada uma possui diretrizes específicas para se adequar à navegação por leitores de tela.

As imagens com conteúdo contemplam fotos, gráficos, ilustrações, botões que substituem links, entre outras. 

Segundo o MWPT (Movimento Web Para Todos), a descrição desse tipo de imagem pode ser informada no próprio texto ou por meio de um atributo específico do elemento img no HTML, também chamado de ALT. Esse recurso só é reconhecido pelo leitor de tela quando o usuário passa pela imagem. 

Já as imagens decorativas, como ícones e marcadores, não oferecem conteúdo a ser transmitido. A recomendação é a inserção de todas as imagens decorativas através das folhas de estilo (CSS) e o não preenchimento do atributo ALT, para que os leitores de tela não reconheçam o conteúdo e facilitem a navegação.

O Twitter, Facebook e Instagram oferecem um passo a passo para inserção de informações descritivas nas imagens. 

Ah, e um ponto importante principalmente para redes sociais: não utilize X ou @ para linguagem neutra, pois o leitor de tela não consegue identificar e o conteúdo se torna inacessível não só para pessoas com deficiência visual, mas também pessoas analfabetas. Nós fizemos um guia completo para você descrever imagens do jeito certo!

4. Aposte em boas práticas de design

O Movimento Web para Todos orienta sobre práticas importantes para tornar o design acessível, como o tamanho das fontes, a identificação dos links e as regras de contraste no uso das cores para facilitar o entendimento dos elementos.

Em relação à formatação são indicados:

  • Evitar alinhamento centralizado nos blocos de texto;
  • Não utilizar textos justificados;
  • Evitar textos em itálico;
  • Manter um espaçamento consistente entre os elementos para não deixar dúvidas entre a relação do conteúdo.

5. Lembre da Linguagem Brasileira de Sinais

A Libras ainda é pouco utilizada além dos conteúdos produzidos pelo governo, mas em 2020 já foi possível visualizar uma mudança graças às traduções oferecidas durantes as diversas lives realizadas ao longo do ano.

Todo vídeo publicado no Youtube e redes sociais deve contar com legendas e áudio-descrição, mas também é importante oferecer o recurso de Libras (com avatar digital ou tradutor-intérprete) para estender o conteúdo para surdos não oralizados. 

O mesmo vale para sites que desejam produzir conteúdo acessível, já que o recurso contempla os surdos que são alfabetizados em português.

Já que você se interessou pelo assunto, veja a nossa lista com 9 perfis que você deve seguir para ficar por dentro das lutas e do cotidiano de pessoas com deficiência!

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