Protestos nas ruas de Uganda. Créditos: Anonymous/Twitter
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Angolanos e Ugandenses desencadeiam protestos em seus países

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Tempo de Leitura: 4 minutos

Uganda, país situado na região Oriental da África, vive em sua história um dos seus maiores momentos de ebulição no ponto de vista social e político. Há protestos acontecendo em sua capital, Kampala, devido à prisão de Robert Kyagulanyi, 38, conhecido como Bobi Wine, opositor do atual presidente Yoweri Museveni, 76, do partido Movimento de Resistência Nacional (MRN). 

Com as novas eleições previstas para fevereiro de 2021, Museveni pretende alcançar o sexto mandato na história de sua carreira política, de acordo com informações do portal DW Africa. O autoritarismo de Museveni faz com que as campanhas eleitorais estejam ocorrendo de forma desigual ao seu opositor. Essa é uma das principais denúncias de Robert Kyagulanyi.   

Protestos e Bobi Wine

 O candidato à presidência nas próximas eleições, Bobi Wine. Créditos: Getty Images/SOPA Images.
O candidato à presidência nas próximas eleições, Bobi Wine. Créditos: Getty Images/SOPA Images.

Além de artista e empresário, o político Bobi Wine é candidato pelo Partido de Unidade Nacional (NUP) às eleições presidenciais. O anúncio formal foi feito no dia 24 de julho de 2019 e a adesão ao partido em 22 de julho deste ano. Seu ingresso na política em abril de 2017. Até então, tem provocado inspiração aos jovens ugandenses dentro das campanhas políticas que tem atuado.

Em 2018, Wine ganhou um pouco mais de notoriedade e fama (para além de sua carreira artística) ao defender vitórias de candidatos de oposição, o que o fez conquistar mais apoio popular, principalmente da juventude.

Bobi Wine já passou por tortura, segundo denúncias locais. Desde o ano passado, ele foi detido diversas vezes sob acusações de ter liderado manifestações contra o imposto sobre o uso das mídias sociais no país (em vigor desde julho de 2018) e desobediência civil, por exemplo. Na prisão ocorrida em 2 de maio deste ano, a Anistia Internacional decidiu intervir e exigiu ao governo de Uganda a libertação de Wine. Ele recebeu fiança e foi proibido pelo tribunal a liderar manifestações tidas como ilegais. 

Seu manifesto de campanha política foi lançado no dia 6 de novembro em Mbarara, cidade localizada na região oeste de Uganda. Wine se reuniu numa multidão e sob acusação de desrespeitar as normas da Lei de Gestão Pública em relação ao Covid-19 e foi preso de forma arbitrária na quarta-feira passada, 18. Cerca de 350 manifestantes também estão detidos. A polícia ugandesa chegou a contabilizar um total de 16 mortes durante confrontos violentos no fim da tarde da quinta-feira passada, 19. 

Em três dias de resistência nas ruas, 45 mortes foram registradas na última segunda-feira, 23, conforme informa a Agência Lusa. Ainda no mesmo território, há uma confirmação de 11.767 casos de Covid-19, de acordo com dados do site do Ministério da Saúde de Uganda. 

Angola diz basta

Protestos nas ruas de Angola. Créditos: DW/L. Ndomba.
Protestos nas ruas de Angola. Créditos: DW/L. Ndomba.

Já na região Central do Continente Africano, mais precisamente em Angola, país que tem como um dos idiomas oficiais o português, tem ocorrido também uma série de protestos. Justo no mês em que se lembram os 45 anos da independência de Portugal, no dia 11 de novembro de 1975.  Em menos de um mês, o terceiro protesto ocorreu no último sábado, 21.

As razões que explicam o contexto de insatisfação popular são o desemprego, a violência policial e as exigências para definir uma agenda voltada para as primeiras eleições locais a ser cumprida de forma rigorosa, além da luta constante por melhores condições de vida para os angolanos. Pelas ruas, em meio à pandemia do Covid-19, eles andam com cartazes apelando para “Angola diz basta!”

Os manifestantes estão se opondo ao então presidente José Lourenço, 66, eleito nas últimas eleições, em 2017, processo eleitoral que encerrou o mandato de 38 anos seguidos do ex-chefe de Estado José Eduardo dos Santos, 78. O período duramente marcado por violações aos direitos humanos, corrupção e nepotismo.

A reivindicação dos protestos é pelo fim da corrupção do atual presidente. Créditos: AMPE Rogério/Agência Lusa.
A reivindicação dos protestos é pelo fim da corrupção do atual presidente. Créditos: AMPE Rogério/Agência Lusa.

O que os angolanos criticam é a corrupção do atual presidente, além do abandono sentido pela população na vida cotidiana, em razão das promessas feitas durante a campanha pré-eleições que não estão sendo cumpridas, o que levou as pessoas a irem às ruas. No último dia 7 de novembro, cerca de 400 pessoas foram consideradas desaparecidas após terem sido dispersadas em repressão da polícia. A manifestação do dia 11 de novembro foi proibida, porém ocorreu. Cerca de 100 prisões foram registradas pela polícia no segundo dia de protestos.

Em meio à efervescência dos protestos, o País contabiliza 14.920 casos confirmados e 341 mortes por Coronavírus nesta quinta-feira, 26. A maior incidência é na própria capital, Luanda, de acordo com informações da Agência Lusa.

A população nigeriana também tem protestado contra a violência policial. O movimento #ENDSars pede o fim da The Special Anti-Robbery Squad (SARS) ou Esquadrão Especial Anti-Roubo, unidade pertencente à Força Policial nigeriana.

Atualização: O atual e grande líder de oposição Bob Wine suspendeu de forma temporária a sua campanha eleitoral durante protesto contra a violência da polícia de Uganda. Isso ocorreu após terem sido usadas munições reais e gás lacrimogêneo em vários dos comícios de Wine. As informações foram divulgadas pela Agência Lusa nesta quarta-feira, 2.

Mulher negra, Larissa Carvalho é uma jornalista nordestina e antirracista, com experiência em Marketing Social (La Plata, Argentina) e passagem pelas redações do jornal O POVO (Fortaleza-CE, Brasil) e Mail & Guardian (Joanesburgo, África do Sul). É fundadora, CEO e editora do portal de notícias e mídia negra nordestina site Negrê

larisjornalista@gmail.com

 

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